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Conexões para negócios e internacionalização são destaques de missão catarinense à Portugal

Conexões para negócios e internacionalização são destaques de missão catarinense à Portugal

Empresas do programa Startup SC avaliam participação no Web Summit e em eventos que oportunizaram a aproximação com possíveis clientes, investidores e parceiros para internacionalização

A primeira semana de novembro trouxe para dez startups catarinenses oportunidades de internacionalização, conexão com investidores e possíveis clientes, e também acesso a muito conteúdo empreendedor. As empresas passaram pelo programa StartupSC, desenvolvido pelo Sebrae/SC, e foram selecionadas para participar do maior evento de tecnologia europeu, o Web Summit, em Lisboa. O grupo acompanhou eventos paralelos focados em apresentar oportunidades de internacionalização das startups, especialmente para acesso ao ecossistema de Portugal.

As tradicionais missões ao exterior do Startup SC, antes focadas no Vale do Silício, tiveram pela primeira vez como destino a Europa. Coleção.Moda, Conpass, Mobiliza, Moblee, Paytrack, Prevision, Reviewr, Smart Tour, WiFeed foram as startups selecionadas para estarem na missão, além da TiFlux. Na avaliação do coordenador do StartupSC, Alexandre Souza, a participação do grupo nos eventos em Lisboa mostrou a maturidade das empresas e do ecossistema: “a seleção feita permitiu que levássemos empresas com teses de internacionalização em curto e médio prazo, fazendo com que os empreendedores aproveitassem ao máximo todas as oportunidades de conexões, negócios e parcerias”, destaca Souza. O gerente de Inovação e Empreendedorismo do Sebrae Santa Catarina, Jefferson Bueno, complementa: “pensar global precisa ser um mantra cada vez mais presente nas nossas micro e pequenas empresas, sobretudo as startups, com suas soluções inovadoras e escaláveis”.

Na avaliação dos empreendedores participantes da missão, cinco pilares nortearam os destaques da missão catarinense à Portugal: oportunidades de negócios; acesso a conteúdos; conexões para parcerias; internacionalização e relacionamento com investidores. Nove empresas tiveram direito a expor em um dos quatro dias do Web Summit.

Negócios e investimentos

A participação brasileira no Web Summit cresceu significativamente neste ano. Estima-se que mais de 4 mil participantes vieram de diferentes estados brasileiros, de empreendedores de startups, a empresas tradicionais e consolidadas buscando inovação e a transformação digital. A presença de empresas maduras proporcionou conexões importantes para algumas startups, como a construtech Prevision, de Florianópolis. “Não haviam muitas empresas deste segmento no evento, porém tive a oportunidade de contato com uma das maiores construtoras do Brasil, que visitou nosso estande, além de uma importante construtora portuguesa. Além disso, um diretor de uma das maiores redes brasileiras de materiais de construção demonstrou interesse em desenvolver uma ferramenta em parceria”, destaca a CEO Paula Lunardelli.

A Coleção.Moda comemorou a conexão com grandes marcas internacionais do segmento de moda, cujos executivos estiveram no evento. Reuniões já foram agendadas para demonstrar a solução, que atua no planejamento do ciclo de vida dos produtos da indústria da moda. “Nos conectamos com contatos muitos influentes que podem nos conectar com players do mercado de confecção de Portugal e Londres”, destacou o CTO Renan Heinzen, que conversou com cerca de 100 pessoas, sendo 10 potenciais clientes, e desses 3 do mercado global. O CEO da Moblee, André Rodrigues da Silva, recebeu mais de 30 pessoas que atuam no universo de organização e promoção de eventos, foco da plataforma que desenvolvem, sendo possíveis clientes, agências parceiras e responsáveis por eventos na Índia e Estados Unidos e um potencial parceiro com solução para captura de feedbacks em eventos. Já Marcio Jacson, CEO da Tiflux, aproveitou o evento para visitar os estandes de startups e empresas que se conectam com o foco da empresa, que desenvolve uma solução de service desk para T.I.

A Coleção.Moda conversou com gestores de aceleradoras da Europa focadas no segmento fashion, com possibilidades de apresentar suas soluções para este segmento. Outros seis potenciais investidores, sendo três específicos da área de Moda, abordaram a empresa no Web Summit. O potencial do produto da empresa em nível internacional foi o grande destaque para Renan Heinzen, CTO da empresa. A empolgação de André Rodrigues, da Moblee, também ficou evidente. “O Web Summit é um evento que respira funding e foram inúmeras as oportunidades de se falar com investidores. Tivemos, inclusive, representantes de fundos abordando proativamente a Moblee antes do evento para nos conhecer”, destacou.

Conexões e conteúdos

O Web Summit contou com uma extensa programação dividida em mais de uma dezena de trilhas, além de uma arena para mais de 30 mil pessoas simultâneas, onde passaram nomes como Edward Snowden e Tony Blair. Na avaliação dos participantes catarinenses, o conteúdo do evento foi sempre direto ao ponto, sendo objetivos e trazendo insights para inspiração e aprofundamento posterior, despertando para ação. “É incrível a maneira como eles engajam o público com temas futuristas de extrema relevância, abrangendo saúde, relação humano/tecnologia e mobilidade, com painéis espalhados com a percepção do público sobre as temáticas”, destacou André Rodrigues, CEO da Moblee.

Com mais de 70 mil pessoas de todos os continentes, o Web Summit é um palco perfeito para conexões globais de alto nível. “O ponto principal do evento é o networking. Existem diversos lugares para conhecer pessoas, para conversar com investidores, para fazer rodada de negócios. É um evento para você se planejar e ir conhecer dezenas de empresas e pessoas diferentes. Fazer parcerias, negócios, ter novas ideias ao interagir com outras empresas”, destaca João Romão, CEO da Mobiliza, que atua no segmento de desenvolvimento de pessoas e educação corporativa.

Com a densidade de empresas e startups brasileiras no evento e nas demais atividades que a missão participou, Lisboa foi um ambiente muito propício para formação de parcerias tanto de negócios, quanto de tecnologia em negócios complementares. Vários empreendedores do grupo relataram conexões feitas e que seguirão sendo costuradas no Brasil.

Plataforma para internacionalização

Portugal deflagrou nos últimos anos dezenas de ações para atrair cada vez mais investimentos de tecnologia e inovação ao país. A própria vinda do Web Summit, de Dublin para Lisboa, foi um dos pontos altos deste movimento. Além disso, programas para incentivar a instalação de empresas internacionais no país, principalmente brasileiras, foram apresentados em diversas oportunidades nos cinco dias de missão, em eventos paralelos e no próprio Web Summit. “A Prevision ainda tem muito a crescer no Brasil, mas a cabeça está ainda mais aberta para a internacionalização. Os incentivos do governo aliados à percepção de que as empresas crescem rapidamente em outros países quando saem da Europa deixou claro que é mais fácil e faz mais sentido do que imaginamos do Brasil”, reflete Paula Lunardelli, CEO da Prevision.

Os eventos que os catarinenses tiveram na segunda e na sexta, pré e pós Web Summit, ajudaram a tangibilizar o entendimento das vantagens de iniciar a internacionalização por Portugal. As empresas também do Santa Catarina, Sizebay e Neoway, apresentaram seus cases de operação em terras portuguesas. Apesar das facilidades apresentadas, João Romão, da Mobiliza, pondera sobre internacionalizar no continente europeu. “Ficou claro que a Europa deve ser considerado como um mercado pulverizado em diversos países, e não como um único mercado. Cada país deverá ter uma ação específica de marketing e vendas específica, e bem diferente da nossa. O Euro é uma moeda pesada para brasileiros, e cada país tem uma cultura e língua diferente — o inglês não deve ser considerado o suficiente para negociar pela Europa”, destaca.

Santa Catarina ganha destaque na semana de eventos

O lançamento da edição 2020 do Floripa Conecta, movimento que reúne dezenas de eventos e iniciativas da economia criativa da capital catarinense, foi um dos pontos altos da participação catarinense. O projeto teve um amplo estande no Web Summit, que virou ponto de encontro dos catarinenses e até lideranças de outros estados, já que o Brasil não tinha representação formal com estande.

A força do programa Startup SC, que também lançou o evento Startup Summit 2020, foi evidenciado pelos empreendedores participantes da missão. “Estivemos nestes dias com pessoas incríveis, que demonstram que a organização e a qualidade dos empreendedores são a maior fortaleza do ecossistema de Santa Catarina, tão bem alimentado pelo Sebrae”, celebra Paula Lunardelli. “Todos nós somos gratos pela experiência e aprendizado que o programa StartupSC proporcionou, e que mudou nossa trajetória como empresários – e possivelmente de centenas de vidas impactadas pelos nossos negócios”, reforça João Romão, da Mobiliza.

Alexandre Souza

Coordenador do Startup SC, projeto do Sebrae/SC que tem como objetivo o desenvolvimento e fortalecimento das startups catarinenses.