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Health tech: telemedicina e novas oportunidades pós-pandemia

Health tech: telemedicina e novas oportunidades pós-pandemia

Dentro da operação de um negócio é muito comum que haja agentes catalisadores de mudanças. Sejam elas adaptações em funcionalidades, alterações do produto como um todo ou até mesmo a pivotagem; tudo isso pode definir novos rumos para o negócio. A pandemia do novo coronavírus foi com certeza um catalisador de reinvenção para muitas empresas, especialmente no setor de health tech.



Em função do estado de calamidade decretado no Brasil, o Ministério da Saúde atendeu a um pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e publicou a portaria Nº 467, regulamentando temporariamente o atendimento médico à distância via teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta — todos recursos da telemedicina, que ainda não possui regulamentação específica para operar no país —, o que garantiu às empresas deste ramo a possibilidade de desenvolver novas soluções.

O uso de tecnologia na saúde permite escalar os atendimentos do sistema de saúde do país, dando um respiro e permitindo a correção das diversas falhas que a pandemia deixou evidentes. Por isso os ganhos do uso dessas tecnologias para auxiliar profissionais da saúde no exercício de suas funções, assim como a população que usufrui dos serviços, são incontáveis.

Confira neste post como startups da área de saúde podem aproveitar o atual momento — e também as tendências que se projetam para o futuro — para pensar em novos serviços que possam ser ofertados à distância.

 

Serviços à distância: uma tendência inevitável

Não somente para o setor de health tech, mas para todos os negócios, o mundo modificou sua forma de consumir produtos e serviços em função da pandemia do novo coronavírus. Para acompanhar esta mudança, as empresas também precisaram se reinventar em diversos sentidos.

Mas e o que fazer com o setor de saúde, em que pacientes precisam frequentar clínicas e hospitais para tratamentos e acompanhamentos de rotina? O uso das videoconferências cresceu muito durante a pandemia em todos os setores do mercado, e com a saúde não foi diferente — segundo a empresa Trust Radius, foi registrado um crescimento de 445% no interesse global por webconferências e de 327% em plataformas de vídeo.

Assim, o atendimento online no Brasil, possibilitado graças à regulamentação temporária de algumas funções da telemedicina, ajudou a evitar deslocamentos de muitas pessoas durante o isolamento. É muito importante salientar que existem diversos tratamentos que requerem, sim, a presença física do paciente, e estas pessoas devem manter as suas rotinas. No entanto, uma grande parcela dos serviços pode ser executada remotamente sem perdas na relação médico-paciente.

Como é o caso da Cuco Health, selecionada na 5ª turma do Programa de Capacitação do Startup SC, que desenvolve ferramentas digitais para acompanhar o paciente e aumentar a adesão ao tratamento quando está em casa. Lembretes para a compra de medicamentos e monitoramento de aspectos ligados ao tratamento ajudam paciente e equipe médica, de forma remota e ágil, a entender como está o desenvolvimento de cada caso.

 

Inovação em health tech na pandemia

A demanda do mercado por soluções que possam ser operadas e oferecidas à distância teve um aumento significativo em função do isolamento social. Assim, ao contrário da maior parte dos negócios, startups da área de health tech, que já trabalhavam com o desenvolvimento de produtos e serviços de tecnologia para a área da saúde, ganharam um impulso a mais neste momento.

Foi o caso da ePHealth, startup incubada por um programa do ecossistema  de Santa Catarina, gerenciado pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), que adicionou à sua plataforma para Atenção Primária em Saúde um módulo focado no monitoramento e identificação de áreas de risco de contaminação por coronavírus para notificação ao sistema de saúde local. Com esta inovação é possível fornecer apoio na localização de casos para agir mais rápido com as medidas de quarentena. Também entram na lista de negócios adaptados para o momento as seguintes tecnologias:

 

  • acompanhamento de hábitos de prevenção, com foco em lembretes enviados ao usuário sobre as medidas recomendadas pela OMS e Ministério da Saúde;
  • ferramentas digitais como fonte de informação para anestesiologistas, grupo altamente exposto ao risco de contaminação em função dos procedimentos de intubação de pacientes;
  • e serviços de telemedicina para informações em saúde focado nas orientações relacionadas à Covid-19.

 

Outros exemplos de tecnologias catarinenses que estão desde o início da pandemia ajudando no combate e prevenção ao coronavírus com as soluções que já possuíam são:

 

  • sistemas de ozônio para descontaminação de ambientes;
  • bolsa lacrada com membrana interna antibacteriana para aspiração de fluidos corporais, para evitar contaminação em ambientes hospitalares;
  • e nanopartículas em pó e líquidas com aditivos antimicrobianos para descontaminação de tintas, tecidos, esponjas e metais.

 

Pioneirismo catarinense

O estado de Santa Catarina também trouxe muita inovação ao ter representantes pioneiros na criação de soluções que já vêm sendo utilizadas pelo setor da saúde no combate ao coronavírus.

Uma delas é o respirador mecânico portátil desenvolvido pela startup Anestech em um projeto nacional liderado pela incubadora do Hospital Albert Einstein Eretz.bio. Outra é referente aos testes moleculares para detecção de material genético do vírus que a startup BiomeHub está desenvolvendo em parceria com a Certi para aplicação em massa na indústria, ajudando o setor a retornar ao trabalho com maior segurança.

 

Benefícios da tecnologia para a saúde

Apesar de ainda não ser oficialmente regulamentada, a telemedicina permite agregar muitas vantagens por meio do uso de tecnologia em atividades do dia a dia de profissionais da saúde. Recursos de Inteligência Artificial, como chatbots e o uso de videoconferências já vêm sendo amplamente utilizados em diversos setores, mas na saúde os passos ainda são lentos para permitir sua implementação.

Diversas clínicas e hospitais utilizam serviços como estes, desenvolvidos por empresas do setor de health tech, e isso já facilita muito a organização e os processos dentro desses estabelecimentos, mas o paciente final acaba não tendo este acesso.

Fique de olho no blog do Startup SC e conheça mais sobre tecnologia para a saúde e como a sua empresa pode inovar a partir das novas necessidades impostas pela pandemia.

Alexandre Souza

Coordenador do Startup SC, projeto do Sebrae/SC que tem como objetivo o desenvolvimento e fortalecimento das startups catarinenses.